quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Preço

"Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração." Epitáfio - Titãs.
Quando vejo alguém julgar outra pessoa, seja no quesito das escolhas pessoais, lembro desta frase. A uma única pessoa que sabe o porquê das suas escolhas ou não, sejam certas ou erradas, é você, às vezes nem mesmo você. Você pode ter a lembrança de alguns motivos, mas não vai se lembrar exatamente o que pensou, o que sentiu no momento, Então a única coisa a fazer é continuar vivendo com as consequências dos seus atos. E só. É o preço por viver.

sábado, 11 de novembro de 2017

Distopias

Depois de Temer e Trump e tantos outros, a distopia imaginada na ficção cada vez se torna mais verdade. Então vou fazer um Top 15 das distopias, seja livros, filmes ou séries, que acho interessante, que foram inovadoras ou simplesmente gosto muito. Não tem ordem de valor. Se quiserem acrescentar nos comentários alguma que esqueci, ou não li/assisti, fiquem à vontade.
1 - Thundarr o Bárbaro (desenho animado) - Catástrofe natural. Um pedaço da Lua cai na Terra e causa inúmeras modificações. A Terra regride a um estado entre a barbárie, com elementos de sci-fi.
2 - Walking Dead (série) - Catástrofe viral - Um fenômeno transforma as pessoas em mortas-vivas. O diferencial das séries de zumbi, nos quais as pessoas precisam ser mordidas é que todos já estão contaminados. Morreu, vira zumbi pronto. No mesmo gênero os filmes do George Romero (cérebros) e Resident Evil
3 - Revolution (série) - Catástrofe humana - Um fenômeno acaba com toda eletricidade no mundo acaba e sua capacidade de gerar. Acho o conceito da série interessante e a primeira temporada é muito boa.
4 - 1984 (livro) - Ditadura civil/militar - A/o mãe/pai de todas ficções distópicas neste gênero. Uma sociedade controlada em todos aspectos: executivo, legislativo, judiciário, mídia (Brasil 2016) em uma Inglaterra, pelo Grande Irmão (Big Brother). No mesmo gênero merecem citações honrosas: Equilibrium e V de Vingança.
5 - Maze Runner (livro/filme) - Catástrofe natural/viral/humana - Explosões solares afetam a terra e causam destruição generalizada e aí o que o governo restante faz? Tenta salvar a população restante? Não cria a porra de um vírus para matar metade da população. Só que o vírus sofre uma mutação e deixa as pessoas tipo zumbi. E o que eles fazem para solucionar o problema é mais idiota ainda. Está na lista porque gosto do conceito do "zumbi" da série, acho superinteligente, os cranks e alguns personagens prestam.
6 - Dança da Morte (livro/filme/série) - Não podia faltar Stephen King (sou fã dele, tem problema?) - Catástrofe viral. Uma arma biológica foge do controle, um vírus apelidado de Capitão Viajante, acaba matando mais de 90% da população. O que sobra se dividem em dois grupos: um do bem com uma velhinha da hora e outro com o cão chupando manga, assoviando e arrebentando sua cabeça ao mesmo tempo, Randall Flagg (Negan, Governador, tudo é criança do jardim da infância perto dele). Considerado pela crítica como a melhor obra dele!
7 - Akira (anime) - Catástrofe nuclear. Junte uma sociedade sobrevivente a uma catástrofe nuclear, coloca gangues de moto e poderes psíquicos, muita violência e uma animação primorosa. No mesmo gênero, temos um livro ambientado no RJ - Os Reis do Rio, muito bom mesmo.
8 - Fahrenheit 451 (livro/filme). Ditadura civil/militar. Clássico como 1984. O romance apresenta um futuro onde todos os livros são proibidos, opiniões próprias são consideradas antissociais e hedonistas, e o pensamento crítico é suprimido (Brasil 2016 - Escola sem Partido - Reforma da Educação?).
9 - Planeta dos Macacos (livro/filme/série). Catástrofe humana. Os americanos da década de 50/60 adoravam ficção científica/comics com macacos, tanto que existia uma regra na DC, feita pelo antológico Julius Schwartz que limitava a aparição de gorilas/macacos nas histórias, para não esgotar o tema que sempre aumentava as vendas. Então, em 1968, após a antológica cena, no qual o astronauta vivido por Charlton Heston (Ben Hurr/ Moisés na ficção - escroque na vida real), após fugir dos gorilas encontra a estátua da liberdade enterrada na praia foi o ápice, e um dos momentos antológicos do cinema. Teve um montão de continuações, série na TV, e dois remakes, um que não fez sucesso e outro que já gerou uma nova trilogia. Havia uma polêmica se o planeta em que Heston chega é a Terra ou não, mas acredito que a narrativas posteriores concluem que o planeta é a Terra.
10 - Tropas Estelares (livro/filme/série) - Catástrofe alienígena. Uma sociedade fascista no qual você ou é militar ou é lixo humano, encontra um inimigo alienígena insectóide que quer dizimar a Terra, e destrói Buenos Aires (anti argentinos vibram) e diversas outras cidades. Para isto utilizam armaduras modernas e afins. Tropas estelares inova em vários conceitos.
11 - O Sobrevivente (conto/filme). Reality show. Obras que trabalham a questão da televisão/mídia no controle, e agora a internet como alguns episódios de Black Mirror, são bem interessantes. Mas este conto de Richard Bachman (pseudônimo de Stephen King) associa justiça a reality show. Nesta sociedade fascista, a punição dos criminosos acontece na forma de um reality show, que são perseguidos por justiceiros criados para série, tal como super-heróis, e as pessoas apostam e ganham prêmios quando seu justiceiro mata um criminoso.
12 - Jogos Vorazes/Battle Royale (livros/filmes/quadrinhos). Categoria jovens se matando para manter sociedade fascista/reality show. Bem a categoria diz tudo. A grande diferença entre Jogos Vorazes e Battle Royale são alguns conceitos e pruridos que os americanos tem e os japoneses não. Em Jogos Vorazes, os distritos sorteiam anualmente dois jovens entre 11 e 17 anos para se matarem enquanto filmados e exibidos em rede nacional. Em, Battle Royale (que veio antes), a diferença está que é uma turma de alunos de média 15 anos que é escolhida, e tem que se matar e sobrar um. Lógico que o impacto psicológico é muito maior, pois todos são seus conhecidos, e até amigos. Battle Royale é muito mais violento, muito mesmo, tanto no aspecto físico quanto psicológico, estupro, abuso infantil, etc, e os temas abordados em comparação, parecem que Jogos Vorazes é um livro infantil. Não é uma obra fácil de ser lida, e em suas três versões livro (original), mangá e filme tem diferenças entre si, sendo o livro e o mangá muito mais fortes.
13 - Universo 2099 Marvel - As ficções mostradas falam da distopia geral, poderia acontecer, em grau menor ou infinitesimal, enquanto esta séries de HQs tratam da distopia do Universo Marvel. Uma catástrofe acaba com todos os heróis/vilões da Marvel, diferente de Wanted que só morrem os heróis, e o futuro é comandado por megas corporações, os Estados Unidos é presidido pela Alchemax (alguém disse Trump?), sem direitos sociais, polícia privatizada, câmeras por todos os lados. Cidade dos ricos no alto, pobres na cidade de baixo. Ricos como todos os direitos, inclusive com impunidade, principalmente os possuidores dos black cards, podendo matar, sendo punidos com multas e só. O que o mundo seria se dominado pelo pessoal do MBL. Também incluiria aqui o Cavaleiro das Trevas de Frank Miller e Reino do Amanhã de Mark Waid. Sobre Polícia privatizada, comandada por corporações, guerra de gangues e violência social, como em Robocop, foi inspirado neste sistema o Justiceiro 2099 que é muito bom.
14 - Exterminador do Futuro - Robôs dominado os humanos. Clássica série de filmes, no qual as máquinas vencem e tentam exterminar os humanos. Matrix, também está inserido neste tópico pois bebe da mesma fonte, mas inovou na realidade virtual.
15 - Mad Max - Os filmes de Mad Max podem ser separados por uma catástrofe. O primeiro é um filme bem realista sobre guerra de gangues, bem violento, e inovou nas filmagens das estradas. Do segundo em diante vira um mundo pós apocalíptico desértico, no qual falta tudo, principalmente água e combustível. No oposto cito Waterworld, o fracasso de Kevin Costner, que consegue se salvar no excelente O Carteiro que também é uma distopia.

Compramos Almas

 Bom dia, em que posso ajudá-lo?
- Bem, eu estava passando e recebi este papelzinho do rapaz ali fora e fiquei interessado. É isso mesmo, vocês compram almas?
- Sim, é isto mesmo, de todos os tipos.
- Mas como funciona?
- Nós avaliamos sua alma e damos um valor, quanto mais pura melhor.
- Como assim, mais pura?
- Nós avaliamos a quantidade de pecados que a pessoa tem, e quanto menos pecado mais pura e mais valiosa, a alma é. Por exemplo, se você for um falso devoto ou um enganador religioso,a gente não paga nada, esta alma vai ser nossa mesmo. Agora, se você for realmente bom, e em um ato desesperado, e está precisando de dinheiro, a gente também não compra.
- Por que?
- Simples, você vai se sentir culpado e vai fazer um montão de coisas boas, e aí o pessoal de lá de cima, pode relevar. E quanto o chefe de lá, diz que é dele. Ninguém pode fazer nada. Você tem que estar no meio do caminho. Interessado na avaliação, é totalmente gratuita.
- Sim, sim.
- Seu nome, para o sistema reconhecer... Obrigado. Pois bem, só precisa as perguntas básicas, para gravar a sua voz respondendo: Você tem religião? Pratica?
- Sim, eu vou a Igreja aos domingos e faço minhas orações toda a noite.
- Bom, em quem votou na última eleição?
- E isto tem importância?
- Ah, se tem! E se apoiou o golpe/impeachment. Se comemorou ou não a vitória do Trump. Se sonega imposto, se molha a mão do guarda quando pego bêbado. Se trai o/a companheir@, caso seja com o/a melhor amig@, então nem se fala, é super desvalorizado! Se baixa filme/jogo pirata, se vê vídeo pornô, se come carne de porco, qual tipo de tecido utiliza na roupa. São muitas perguntas...
- Mas demora muito?
- Demora sim, é porque o ser humano é muito complexo.
- Obrigado mesmo, mas não estou interessado.
- Mas não tem problema não. Pelo seu histórico, aqui no sistema, nos veremos em breve!


por Marcelo Daltro

Jesus Revolucionário

Jesus era revolucionário, seu discurso ia contra a elite política e religiosa judaica e foi assassinado pelo Estado Romano como subversivo, entre ladrões. E isto nem bispo, nem deputado, nem direitista conversador pode mudar. Se viesse hoje, Jesus seria acusado de "petralha, comunista, esquerdopata, vândalo, etc", pela imprensa e redes sociais. Teria uma advogada louca girando camisa e mandando ele para cruz! Queria ver quantos frequentadores de Igreja iriam seguir o messias, quando ele falasse para repartir seu dinheiro com os pobres. E o que Ele faria quando visse venderem "tijolinhos" em sua Igreja. Macedinho em seu "comunicador de ouro", Malafaiazinho e o cacete a quatro, milionários com a fé do pobre, seriam escorraçados de seus templos? Não, pegariam o louco, e com seus seguranças particulares, ou com o apoio público da PM e afins, o esculachariam e meteriam em um camburão a figura. Para depois apodrecer em uma cela esperando julgamento, ou numa queima de arquivo qualquer.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Palavrão

Foda-se. Vai tomar no cú. Vai para puta que pariu. Seu filh@ da puta. Vai para casa do caralho. Viado. Puta. Piranha. Vagabund@. Preguiços@. Isto te ofende? Isto te choca? Então tome mais cuidado ao escrever, porque às vezes, mesmo com palavras diferentes é esta a mensagem que você passa. Muitas vezes ofendemos e magoamos as pessoas, explicitamente ou não. Um pouco de empatia não faz mal à ninguém.

domingo, 8 de maio de 2016

Culpado ou não culpado eis a questão.

Ninguém deveria ser culpado pela infelicidade do outro, é um peso muito grande para se carregar. A vida é feita de escolhas e qualquer idiota sabe disso. Às vezes as escolhas são bem sucedidas, às vezes resultam em fracasso retumbante. Tem horas que escolhemos entre o bom e o mau, o melhor e o pior. E, tem horas que escolhemos entre o ruim e o pior ainda. Não jogo a culpa de meus fracassos em ninguém, e não é fácil, porque é bem menos traumático, quando culpamos o outro. Não há necessidade de autorreflexão. 
Às vezes fazemos acordos com os nosso parceiros, mas nem sempre conseguimos cumprir. Por que? Somos humanos, falíveis, e sempre que fazemos uma escolha, procuramos fazer a melhor opção. Entretanto, nem sempre a resposta é positiva. Mesmo quando fazemos tudo para chegar a um determinado resultado, nem sempre é possível. Só existem três medalhas no pódio e milhares de competidores. 
E mesmo aqueles que acreditam no divino, no destino, na sorte, nem sempre ele é infalível. Lembro de que próximo a minha residência tinha uma festa de um determinado político, com distribuição de brindes em homenagem ao dia das crianças. O nosso computador tinha queimado e iriam sortear computadores. Eu nem quis pegar o bilhete para competir. Mas uma senhora passou e entregou na minha mão. Aqueles que acreditam no destino, devem estar pensando, é um sinal. Eu também pensei. Fiquei até o final da festa com meu filho pequeno e esposa. E foram sorteados quase trinta computadores e umas trinta bicicletas. Nem preciso dizer que não ganhei. Saiu o número antes do meu e o depois! E nada, voltei para casa com meu filho cansado e decepcionado chorando. É, a vida não é um conto de fadas.
Minha mãe doente internada no UPA precisando de transfusão de sangue, lutamos durante dois dias para transferência, eu e meus irmãos, fui até a Defensoria Pública e consegui um mandato e nada. Por volta da meia noite de sábado, conseguimos a transferência. A doutora nos chama para conversar: ela não poderia resistir a viagem. Perguntou quem iria, meus irmãos não tinham condições psicológicas para ir. Eu falei que iria, e fomos rezando para ela conseguir chegar ao hospital, para ter uma chance. Ela conseguiu chegar e receberia a bolsa de sangue no dia seguinte. Passei a madrugada fora do hospital, congelado porque fazia frio, mas feliz com a esperança de que ela sobreviveria. Três dias depois ela morreu, eu fui o último a falar com ela ainda acordada,  ela me pedia para levá-la para casa, e fui o último a vê-la inconsciente. No fundo, eu sabia que seria a última vez que a veria. De madrugada ligaram para gente e pediram para ir ao hospital. Fui, de novo sozinho, para o hospital temendo o pior, que seria receber a notícia de sua morte. Quando cheguei no hospital e vi sua cama recolhida, já sabia, o médico só confirmou. Reconheci o corpo e fiquei à frente do enterro. Não chorei em nenhum momento, tinha me prometido na ambulância no caminho para o hospital que só choraria quando tudo acabasse. E depois do enterro, consegui chorar um pouco. E sabe porque não consigo chorar de verdade. Porque me sinto culpado, mesmo que racionalmente saiba que não tenha culpa nenhuma. Culpado por não ter feito mais.
Então se a minha vida está ruim, se eu tenho um péssimo emprego ou estou desempregado, se minha esposa está doente e não pode se tratar normalmente, se meu filho não tem o mínimo para ter uma vida decente, se eu não consigo passar em um concurso público, se eu não faço a licenciatura e posso finalmente dar aula, se vamos ser despejados de novo da casa onde moramos, se minha esposa está infeliz. Eu sei que a culpa é minha! Minha culpa, máxima culpa. Carrego tantas culpas, que se fossem representar minhas pegadas na areia, minha pegada seria funda até o joelho.
Contudo se você que ler isso, achar que vou me matar, pode ficar tranquilo. A minha morte não resolve nenhum problema, ela só aumentaria os problemas dos outros. E sou tantas coisas, mas nunca fui covarde.
Sim sou culpado, e não coloco esta culpa em ninguém, mesmo sendo um fardo muito pesado para carregar.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

A sina do artista

A sina do artista
        Marcelo Daltro

O leigo admira,
o especialista critica,
e o artista em seu ego:
sobe e desce,
desce e sobe.

Cortando-lhe o peito ou alegrando-se,
ganhando rios de dinheiro ou passando fome.
O artista segue seu fardo,
lançando sua arte como garrafas ao mar.
Na busca incessante que sua mensagem seja lida.

E assim, o artista deixa sua  marca
nesta frágil existência.
Tentando vencer o esquecimento
e alcançar a imortalidade.