Bom dia, em que posso ajudá-lo?
- Bem, eu estava passando e recebi este papelzinho do rapaz ali fora e fiquei interessado. É isso mesmo, vocês compram almas?
- Sim, é isto mesmo, de todos os tipos.
- Mas como funciona?
- Nós avaliamos sua alma e damos um valor, quanto mais pura melhor.
- Como assim, mais pura?
- Nós avaliamos a quantidade de pecados que a pessoa tem, e quanto menos pecado mais pura e mais valiosa, a alma é. Por exemplo, se você for um falso devoto ou um enganador religioso,a gente não paga nada, esta alma vai ser nossa mesmo. Agora, se você for realmente bom, e em um ato desesperado, e está precisando de dinheiro, a gente também não compra.
- Por que?
- Simples, você vai se sentir culpado e vai fazer um montão de coisas boas, e aí o pessoal de lá de cima, pode relevar. E quanto o chefe de lá, diz que é dele. Ninguém pode fazer nada. Você tem que estar no meio do caminho. Interessado na avaliação, é totalmente gratuita.
- Sim, sim.
- Seu nome, para o sistema reconhecer... Obrigado. Pois bem, só precisa as perguntas básicas, para gravar a sua voz respondendo: Você tem religião? Pratica?
- Sim, eu vou a Igreja aos domingos e faço minhas orações toda a noite.
- Bom, em quem votou na última eleição?
- E isto tem importância?
- Ah, se tem! E se apoiou o golpe/impeachment. Se comemorou ou não a vitória do Trump. Se sonega imposto, se molha a mão do guarda quando pego bêbado. Se trai o/a companheir@, caso seja com o/a melhor amig@, então nem se fala, é super desvalorizado! Se baixa filme/jogo pirata, se vê vídeo pornô, se come carne de porco, qual tipo de tecido utiliza na roupa. São muitas perguntas...
- Mas demora muito?
- Demora sim, é porque o ser humano é muito complexo.
- Obrigado mesmo, mas não estou interessado.
- Mas não tem problema não. Pelo seu histórico, aqui no sistema, nos veremos em breve!
por Marcelo Daltro
sábado, 11 de novembro de 2017
Jesus Revolucionário
Jesus era revolucionário, seu discurso ia contra a elite política e religiosa judaica e foi assassinado pelo Estado Romano como subversivo, entre ladrões. E isto nem bispo, nem deputado, nem direitista conversador pode mudar. Se viesse hoje, Jesus seria acusado de "petralha, comunista, esquerdopata, vândalo, etc", pela imprensa e redes sociais. Teria uma advogada louca girando camisa e mandando ele para cruz! Queria ver quantos frequentadores de Igreja iriam seguir o messias, quando ele falasse para repartir seu dinheiro com os pobres. E o que Ele faria quando visse venderem "tijolinhos" em sua Igreja. Macedinho em seu "comunicador de ouro", Malafaiazinho e o cacete a quatro, milionários com a fé do pobre, seriam escorraçados de seus templos? Não, pegariam o louco, e com seus seguranças particulares, ou com o apoio público da PM e afins, o esculachariam e meteriam em um camburão a figura. Para depois apodrecer em uma cela esperando julgamento, ou numa queima de arquivo qualquer.
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
Palavrão
Foda-se. Vai tomar no cú. Vai para puta que pariu. Seu filh@ da puta. Vai para casa do caralho. Viado. Puta. Piranha. Vagabund@. Preguiços@. Isto te ofende? Isto te choca? Então tome mais cuidado ao escrever, porque às vezes, mesmo com palavras diferentes é esta a mensagem que você passa. Muitas vezes ofendemos e magoamos as pessoas, explicitamente ou não. Um pouco de empatia não faz mal à ninguém.
domingo, 8 de maio de 2016
Culpado ou não culpado eis a questão.
Ninguém deveria ser culpado pela infelicidade do outro, é um peso muito grande para se carregar. A vida é feita de escolhas e qualquer idiota sabe disso. Às vezes as escolhas são bem sucedidas, às vezes resultam em fracasso retumbante. Tem horas que escolhemos entre o bom e o mau, o melhor e o pior. E, tem horas que escolhemos entre o ruim e o pior ainda. Não jogo a culpa de meus fracassos em ninguém, e não é fácil, porque é bem menos traumático, quando culpamos o outro. Não há necessidade de autorreflexão.
Às vezes fazemos acordos com os nosso parceiros, mas nem sempre conseguimos cumprir. Por que? Somos humanos, falíveis, e sempre que fazemos uma escolha, procuramos fazer a melhor opção. Entretanto, nem sempre a resposta é positiva. Mesmo quando fazemos tudo para chegar a um determinado resultado, nem sempre é possível. Só existem três medalhas no pódio e milhares de competidores.
E mesmo aqueles que acreditam no divino, no destino, na sorte, nem sempre ele é infalível. Lembro de que próximo a minha residência tinha uma festa de um determinado político, com distribuição de brindes em homenagem ao dia das crianças. O nosso computador tinha queimado e iriam sortear computadores. Eu nem quis pegar o bilhete para competir. Mas uma senhora passou e entregou na minha mão. Aqueles que acreditam no destino, devem estar pensando, é um sinal. Eu também pensei. Fiquei até o final da festa com meu filho pequeno e esposa. E foram sorteados quase trinta computadores e umas trinta bicicletas. Nem preciso dizer que não ganhei. Saiu o número antes do meu e o depois! E nada, voltei para casa com meu filho cansado e decepcionado chorando. É, a vida não é um conto de fadas.
Minha mãe doente internada no UPA precisando de transfusão de sangue, lutamos durante dois dias para transferência, eu e meus irmãos, fui até a Defensoria Pública e consegui um mandato e nada. Por volta da meia noite de sábado, conseguimos a transferência. A doutora nos chama para conversar: ela não poderia resistir a viagem. Perguntou quem iria, meus irmãos não tinham condições psicológicas para ir. Eu falei que iria, e fomos rezando para ela conseguir chegar ao hospital, para ter uma chance. Ela conseguiu chegar e receberia a bolsa de sangue no dia seguinte. Passei a madrugada fora do hospital, congelado porque fazia frio, mas feliz com a esperança de que ela sobreviveria. Três dias depois ela morreu, eu fui o último a falar com ela ainda acordada, ela me pedia para levá-la para casa, e fui o último a vê-la inconsciente. No fundo, eu sabia que seria a última vez que a veria. De madrugada ligaram para gente e pediram para ir ao hospital. Fui, de novo sozinho, para o hospital temendo o pior, que seria receber a notícia de sua morte. Quando cheguei no hospital e vi sua cama recolhida, já sabia, o médico só confirmou. Reconheci o corpo e fiquei à frente do enterro. Não chorei em nenhum momento, tinha me prometido na ambulância no caminho para o hospital que só choraria quando tudo acabasse. E depois do enterro, consegui chorar um pouco. E sabe porque não consigo chorar de verdade. Porque me sinto culpado, mesmo que racionalmente saiba que não tenha culpa nenhuma. Culpado por não ter feito mais.
Então se a minha vida está ruim, se eu tenho um péssimo emprego ou estou desempregado, se minha esposa está doente e não pode se tratar normalmente, se meu filho não tem o mínimo para ter uma vida decente, se eu não consigo passar em um concurso público, se eu não faço a licenciatura e posso finalmente dar aula, se vamos ser despejados de novo da casa onde moramos, se minha esposa está infeliz. Eu sei que a culpa é minha! Minha culpa, máxima culpa. Carrego tantas culpas, que se fossem representar minhas pegadas na areia, minha pegada seria funda até o joelho.
Contudo se você que ler isso, achar que vou me matar, pode ficar tranquilo. A minha morte não resolve nenhum problema, ela só aumentaria os problemas dos outros. E sou tantas coisas, mas nunca fui covarde.
Sim sou culpado, e não coloco esta culpa em ninguém, mesmo sendo um fardo muito pesado para carregar.
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
A sina do artista
A sina do artista
Marcelo Daltro
O leigo admira,
o especialista critica,
e o artista em seu ego:
sobe e desce,
desce e sobe.
Cortando-lhe o peito ou alegrando-se,
ganhando rios de dinheiro ou passando fome.
O artista segue seu fardo,
lançando sua arte como garrafas ao mar.
Na busca incessante que sua mensagem seja lida.
E assim, o artista deixa sua marca
nesta frágil existência.
Tentando vencer o esquecimento
e alcançar a imortalidade.
A arte de fracassar
Texto que iria publicar em fevereiro de 2015
Eu nunca tive um diário, mas acho que de vez em quando é necessário escrever, porque nem sempre temos ou queremos falar de nossos problemas. Se você é assim saiba que não está sozinho. Não sei porque insisto em desenhar. Me falam faça isso e vou lá e faço, e nada. Faça aquilo vou lá e faço e nada. Das duas uma ou sou muito azarado ou muito medíocre. Será que estou relegado a ter subempregos para sempre, ater sempre pouco ou nenhum dinheiro, a morar de favor na casa dos outros. Ontem meu filho falou que queria morar na casa do vizinho, que tem tudo o que ele queria: tem videogame, gato, cachorro, e um quarto só para ele. E a gente morando de favor na casa da minha sogra. Amanhã começo em mais um subemprego que vai dar um salário para sobreviver, mas que não resolve a nossa situação. E o concurso público tão almejado, fica cada vez mais longe. E o engraçado é que várias pessoas que conheço passam em concursos excelentes e estão com a vida ganha. Mas fazer o quê? Desistir? Não, sou burro e teimoso demais para isso.
Update: Estou no mesmo emprego até hoje, não considero mais um subemprego, aprendi muito com ele e com as pessoas com quem trabalho! Algumas considero amigos. Ainda moro na casa da minha sogra, mas hoje tenho perspectivas de morar de novo na minha casa. E ainda não passei de novo em um concurso público. E acho que me cobro demais conheço poucas pessoas que passaram em três concursos públicos e em dois vestibulares públicos! :D
Eu nunca tive um diário, mas acho que de vez em quando é necessário escrever, porque nem sempre temos ou queremos falar de nossos problemas. Se você é assim saiba que não está sozinho. Não sei porque insisto em desenhar. Me falam faça isso e vou lá e faço, e nada. Faça aquilo vou lá e faço e nada. Das duas uma ou sou muito azarado ou muito medíocre. Será que estou relegado a ter subempregos para sempre, ater sempre pouco ou nenhum dinheiro, a morar de favor na casa dos outros. Ontem meu filho falou que queria morar na casa do vizinho, que tem tudo o que ele queria: tem videogame, gato, cachorro, e um quarto só para ele. E a gente morando de favor na casa da minha sogra. Amanhã começo em mais um subemprego que vai dar um salário para sobreviver, mas que não resolve a nossa situação. E o concurso público tão almejado, fica cada vez mais longe. E o engraçado é que várias pessoas que conheço passam em concursos excelentes e estão com a vida ganha. Mas fazer o quê? Desistir? Não, sou burro e teimoso demais para isso.
Update: Estou no mesmo emprego até hoje, não considero mais um subemprego, aprendi muito com ele e com as pessoas com quem trabalho! Algumas considero amigos. Ainda moro na casa da minha sogra, mas hoje tenho perspectivas de morar de novo na minha casa. E ainda não passei de novo em um concurso público. E acho que me cobro demais conheço poucas pessoas que passaram em três concursos públicos e em dois vestibulares públicos! :D
Responsabilidade
O essencial é invisível aos olhos, disse um certo príncipe. E que você é eternamente responsável por que aquele que cativa. Acho que deveria ter dito também que o indivíduo não é uma ilha. Falo isso porque às vezes esquecemos que fazemos parte de uma sociedade, e que somos responsáveis em parte ou no todo, por tudo que acontece nela. Legitimamos leis, alimentamos os mercados, reafirmamos a cultura em que nós vivemos. E criticamos o que nós mesmos ajudamos a criar. Somos agentes ativos da História e mesmo que nosso papel seja invisível aos olhos, nós somos eternamente responsáveis por aquilo que criamos.
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